Campus Flutuante da UFPA: Entrevista com Professora Socorro Simões

Professora Socorro Simões
Possui graduação em Licenciatura em Letras (Português e Inglês) pela Universidade Federal do Pará (1969), mestrado em Letras (Letras Vernáculas) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1978) e doutorado em Letras (Letras Vernáculas) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1986). Atualmente é professora da Universidade Federal do Pará, coordenadora do Programa de Estudos Geo-BioCulturais da Amazônia - Campus Flutuante, da Universidade Federal do Pará . Tem experiência na área de Letras, com ênfase Literatura Portuguesa, História da Literatura e Estudo da Narrativa, atuando principalmente nos seguintes temas: amazonia, narrativa, literatura, oralidade e cultura. 

  1) Professora, como surgiu o "Campus Flutuante" ?

A ideia de criar um Projeto, com a denominação de Campus Flutuante, aconteceu em agosto de 2002, quando realizávamos o quarto “Seminário Embarcado”, rumo ao Xingu, com um evento interinstitucional e multidisciplinar nos municípios de Porto de Moz, Senador José Porfírio, Vitória do Xingu e Altamira. Vale, no entanto, lembrar que tudo começou quando, em 1993, criei o Projeto IFNOPAP, “O imaginário nas formas narrativas orais populares na Amazônia paraense”, com a proposta de “mapear” o que se conta no Pará, em termos de lendas e mitos amazônicos. A certa altura me dei conta que precisaria ir aos locais de onde vinham as narrativas, recolhidas por cerca de 37 bolsistas de IC/UFPA/CNPq, porque muitos dados fugiam ao meu entendimento acerca da Amazônia

  2) Em que consiste o projeto ?

 Aos poucos, a ideia inicial foi ganhando “corpo” e sobrepondo-se à gênese da proposta de se realizar seminários embarcados, para melhor identificar os sentidos das narrativas orais dos nossos ribeirinhos e realizar atividades junto às comunidades do interior do Estado. Quando do retorno do Xingu, em 2002, o então Reitor da UFPA, Dr. Alex Bolonha Fiúza de Melo, grande incentivador do projeto, fez o seguinte questionamento: “Socorro, por que você não propõe que este projeta seja institucionalizado...”. Naquele mesmo ano, propus a criação de um Campus Flutuante, com a função dos Campi Avançados da UFPA, ou seja, destinado à pesquisa, ensino e extensão. Infelizmente, embora o projeto já tenha sido apresentado a todas as agências de fomento, às instituições políticas, em Brasília, inclusive com emendas parlamentares, aprovadas para a construção de um catamarã, projeto do curso de Engenharia Naval (UFPA), o Campus Flutuante, destinado a Ensino, não aconteceu. Hoje, o projeto acontece, anualmente, em forma de evento internacional, interinstitucional e interdisciplinar.

  3) O Campus Flutuante existe há quantos anos e quais as regiões foram visitadas ?

 No formato de evento, como seminário embarcado, o projeto acontece desde 1999. Neste período, já estivemos 5 vezes no Marajó, 6 ao Médio Amazonas; 3 ao Nordeste do Pará; 3 ao Sudeste e uma vez fizemos Belém e um periurbano, alcançando 6 ilhas e 2 comunidades quilombolas.

  4) Quantas pessoas foram beneficiadas?

 Não temos, precisamente, o número de pessoas alcançadas nestes 18 eventos realizados , porque não existe um relatório quantitativo, por exemplo, das pessoas que participam do evento em atividades abertas, como gincana, programação artística e sócio-cultural, em ambientes públicos, do tipo: praças, auditórios, quadras, etc... O controle é feito, apenas, em ambientes fechados e em atividades, com inscrições prévias, como: mini cursos, oficinas, workshops, etc. Do que temos registrado, com frequência, para expedição de certificados, o público alcançado ultrapassa a 50 mil pessoas, sendo que, só nos três últimos eventos, 22.000 participantes se fizeram presentes no IFNOPAP/CAMPUS FLUTUANTE,

5) O projeto é aberto para qualquer pessoas que deseja participar? Quais os critérios de participação? 

 O projeto é aberto às pessoas que têm interesse em temas relacionados à Cultura, Biodiversidade e Sustentabilidade amazônicas. Professores, pesquisadores e estudantes e público, de feição artística e científico/acadêmica são todos bem-vindos ao evento. 

  6) Quais os planos de expansão? 

 Os planos atuais são aqueles que nos fizeram pensar o CAMPUS FLUTUANTE, em 2002, projetá-lo e encaminhá-lo a Brasília, em 2004, lutar por apoio nos anos subsequentes até ter, em 2010, uma emenda parlamentar aprovada para a construção de um catamarã, e continuar lutando para que o projeto ultrapasse o formato de evento internacional anual, para se transformar num campus, com ensino, pesquisa e extensão, em nível tecnológico, de Graduação e de Pós-Graduação. 

  7) Quem, hoje, apoia e financia o projeto? 

 A realização dos eventos anuais tem sido sempre uma luta em busca de patrocínio e de apoio em agências de fomento, instituições públicas e privadas, por meio de editais, IES federais e estaduais, Governo do Estado e simpatizantes que reconhecem a importância do projeto para a Amazônia paraense. 

 Muito obrigado professora Socorro Simões pela entrevista ao nosso blog. 

 

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