Campus Flutuante da UFPA: Entrevista com Professora Socorro Simões
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1) Professora, como surgiu o "Campus Flutuante" ?
A ideia de criar um Projeto, com a denominação de Campus Flutuante, aconteceu em agosto de 2002, quando realizávamos o quarto “Seminário Embarcado”, rumo ao Xingu, com um evento interinstitucional e multidisciplinar nos municípios de Porto de Moz, Senador José Porfírio, Vitória do Xingu e Altamira.
Vale, no entanto, lembrar que tudo começou quando, em 1993, criei o Projeto IFNOPAP, “O imaginário nas formas narrativas orais populares na Amazônia paraense”, com a proposta de “mapear” o que se conta no Pará, em termos de lendas e mitos amazônicos. A certa altura me dei conta que precisaria ir aos locais de onde vinham as narrativas, recolhidas por cerca de 37 bolsistas de IC/UFPA/CNPq, porque muitos dados fugiam ao meu entendimento acerca da Amazônia
2) Em que consiste o projeto ?
Aos poucos, a ideia inicial foi ganhando “corpo” e sobrepondo-se à gênese da proposta de se realizar seminários embarcados, para melhor identificar os sentidos das narrativas orais dos nossos ribeirinhos e realizar atividades junto às comunidades do interior do Estado.
Quando do retorno do Xingu, em 2002, o então Reitor da UFPA, Dr. Alex Bolonha Fiúza de Melo, grande incentivador do projeto, fez o seguinte questionamento: “Socorro, por que você não propõe que este projeta seja institucionalizado...”. Naquele mesmo ano, propus a criação de um Campus Flutuante, com a função dos Campi Avançados da UFPA, ou seja, destinado à pesquisa, ensino e extensão.
Infelizmente, embora o projeto já tenha sido apresentado a todas as agências de fomento, às instituições políticas, em Brasília, inclusive com emendas parlamentares, aprovadas para a construção de um catamarã, projeto do curso de Engenharia Naval (UFPA), o Campus Flutuante, destinado a Ensino, não aconteceu.
Hoje, o projeto acontece, anualmente, em forma de evento internacional, interinstitucional e interdisciplinar.
3) O Campus Flutuante existe há quantos anos e quais as regiões foram visitadas ?
No formato de evento, como seminário embarcado, o projeto acontece desde 1999.
Neste período, já estivemos 5 vezes no Marajó, 6 ao Médio Amazonas; 3 ao Nordeste do Pará; 3 ao Sudeste e uma vez fizemos Belém e um periurbano, alcançando 6 ilhas e 2 comunidades quilombolas.
4) Quantas pessoas foram beneficiadas?
Não temos, precisamente, o número de pessoas alcançadas nestes 18 eventos realizados , porque não existe um relatório quantitativo, por exemplo, das pessoas que participam do evento em atividades abertas, como gincana, programação artística e sócio-cultural, em ambientes públicos, do tipo: praças, auditórios, quadras, etc... O controle é feito, apenas, em ambientes fechados e em atividades, com inscrições prévias, como: mini cursos, oficinas, workshops, etc.
Do que temos registrado, com frequência, para expedição de certificados, o público alcançado ultrapassa a 50 mil pessoas, sendo que, só nos três últimos eventos, 22.000 participantes se fizeram presentes no IFNOPAP/CAMPUS FLUTUANTE,
5) O projeto é aberto para qualquer pessoas que deseja participar? Quais os critérios de participação?
O projeto é aberto às pessoas que têm interesse em temas relacionados à Cultura, Biodiversidade e Sustentabilidade amazônicas. Professores, pesquisadores e estudantes e público, de feição artística e científico/acadêmica são todos bem-vindos ao evento.
6) Quais os planos de expansão?
Os planos atuais são aqueles que nos fizeram pensar o CAMPUS FLUTUANTE, em 2002, projetá-lo e encaminhá-lo a Brasília, em 2004, lutar por apoio nos anos subsequentes até ter, em 2010, uma emenda parlamentar aprovada para a construção de um catamarã, e continuar lutando para que o projeto ultrapasse o formato de evento internacional anual, para se transformar num campus, com ensino, pesquisa e extensão, em nível tecnológico, de Graduação e de Pós-Graduação.
7) Quem, hoje, apoia e financia o projeto?
A realização dos eventos anuais tem sido sempre uma luta em busca de patrocínio e de apoio em agências de fomento, instituições públicas e privadas, por meio de editais, IES federais e estaduais, Governo do Estado e simpatizantes que reconhecem a importância do projeto para a Amazônia paraense.
Muito obrigado professora Socorro Simões pela entrevista ao nosso blog.

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